3 de março de 2010

Finalmente, livre ...



A noite cai numa escuridão profunda e neste momento, o silêncio e a solidão que invadem o meu quarto envolvem-me em pensamentos gélidos e obscuros, aos quais não posso fugir. É avassaladora a forma como partiste e juraste não mais voltar. Foi tudo tão rápido que nem deu para perceber. E não, não sei se agora te perdoo as noites em claro que passei, pensando apenas na forma de te esquecer, mas… percebo agora que essas noites só me faziam lembrar ainda mais de ti.
Lembro-me de tudo, do teu toque suave que me envolvia num arrepio estranho mas ao mesmo tempo alucinante, das tuas palavras de ternura que me levavam para outro lugar, do teu sorriso de alegria e satisfação que me consumia a alma e me fazia querer ir até ao fim do mundo contigo, do teu cheiro doce que se cravava na minha pele cada vez que me abraçavas, do teu sensível olhar que me transmitia a mais pura das verdades, dos momentos mais envolventes, nos quais sentíamo-nos os donos do mundo e na realidade só precisávamos um do outro. É isto que quero esquecer mas é disto que tenho mais saudades, mas não adianta, não adianta lutar por algo que à partida se tornou impossível. Não adianta tentar reescrever uma história que já está finalizada. Acabou. E não, não vou derramar mais uma lágrima por quem nunca me deu valor, por quem me mostrou algo que não era. Sim, é verdade que os momentos foram únicos e pareceram sinceros, mas não passaram disso, de momentos, duraram num instante e depois foram-se com o vento. Vou deixar para trás tudo isto, vou despir esta capa onde me tenho escondido, vou voltar a ser EU e digo-te, "não preciso que ninguém nos separe, por que hoje, eu própria me separo de ti!"